quinta-feira, 28 de agosto de 2014
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Você Conhece o PIB?
Ele fura fila. Ele estaciona atravessado. Acha que pertence a uma casta privilegiada. Anda de metrô – mas só no exterior. Conheça o PIB (Perfeito Idiota Brasileiro), e entenda como ele mantém puxado o freio de mão do nosso país.
Ele não faz trabalhos domésticos. Não tem gosto nem respeito por trabalhos manuais. Se puder, atrapalha o trabalho de quem pega no pesado. Trata-se de uma tradição lusitana, ibérica, que vem sendo reproduzida aqui na colônia desde os tempos em que os negros carregavam em barris, nas costas, a toilete dos seus proprietários, e eram chamados de “tigres” – porque os excrementos lhes caíam sobre as costas, formando listras. O Perfeito Idiota Brasileiro, ou PIB, também não ajuda em casa por influência da mamãe, que nunca deixou que ele participasse das tarefas – nem mesmo pôr ou tirar uma mesa, nem mesmo arrumar a própria cama. Ele atira suas coisas pela casa, no chão, em qualquer lugar, e as deixa lá, pelo caminho. Não é com ele. Ele foi criado irresponsável e inconsequente. É o tipo de cara que pede um copo d’água deitado no sofá. E não faz nenhuma questão de mudar. O PIB é um especialista em não fazer, em fazer de conta, em empurrar com a barriga, em se fazer de morto. Ele sabe que alguém fará por ele. Então ele se desenvolveu um sujeito preguiçoso. Folgado. Que se escora nos outros, não reconhece obrigações e que adora levar vantagem. Esse é o seu esporte predileto – transformar quem o cerca em seus otários particulares.
O tempo do Perfeito Idiota Brasileiro vale mais que o das demais pessoas. É a mãe que fura a fila de carros no colégio dos filhos. É a moça que estaciona em vaga para deficientes ou para idosos no shopping. É o casal que atrasa uma hora num jantar com os amigos. A lei e as regras só valem para os outros. O PIB não aceita restrições. Para ele, só privilégios e prerrogativas. Um direito divino – porque ele é melhor que todos os outros. É um adepto do vale tudo social, do cada um por si e do seja o que Deus quiser. Só tem olhos para o próprio umbigo e os únicos interesses válidos são os seus.
O PIB é o parâmetro de tudo. Quanto mais alguém for diferente dele, mais errado esse alguém estará. Ele tem preconceito contra negros, pardos, pobres, nordestinos, baixos, gordos, gente do interior, gente que mora longe. E ele é sexista para caramba. Mesma lógica: quem não é da sua tribo, do seu quintal, é torto. E às vezes até quem é da tribo entra na moenda dos seus pré-julgamentos e da sua maledicência. A discriminação também é um jeito de você se tornar externo, e oposto, a um padrão que reconhece em si, mas de que não gosta.
O PIB anda de metrô. Em Paris. Ou em Manhattan. Até em Buenos Aires ele encara. Aqui, não. Melhor uma hora de trânsito e R$ 25 de estacionamento do que 15 minutos com a galera no vagão. É que o Perfeito Idiota tem um medo bizarro de parecer pobre. E o modo mais direto de não parecer pobre é evitar ambientes em que ele possa ser confundido com um despossuído qualquer. Daí a fobia do PIB por qualquer forma de transporte coletivo.
Outro modo de nunca parecer pobre é pagar caro. O PIB adora pagar caro. Faz questão. Não apenas porque, para ele, caro é sinônimo de bom. Mas, principalmente, porque caro é sinônimo de “cheguei lá” e “eu posso”. O sujeito acha que reclamar dos preços, ou discuti-los, ou pechinchar, ou buscar ofertas, é coisa de pobre. E exibe marcas como penduricalhos numa árvore de natal. É assim que se mostra para os outros. Se pudesse, deixaria as etiquetas presas ao que veste e carrega. O PIB compra para se afirmar. Essa é a sua religião. E ele não se importa em ficar no vermelho – preocupação com ter as contas em dia, afinal é coisa de pobre.
Qualquer um de nós corre o risco de se comportar assim. O Perfeito Idiota é muito mais um software do que um hardware, muito mais um sistema ético do que um determinado grupo de pessoas. Um sistema ético que, infelizmente, virou a cara do Brasil. Ele está no uso descarado dos acostamentos nas estradas. E está, principalmente, na luz amarela do semáforo. No Brasil, ela é um sinal para avançar, que ainda dá tempo – enquanto no Japão, por exemplo, é um sinal para parar, que não dá mais tempo. Nada traduz melhor nossa gana por avançar sobre o outro, sobre o espaço do outro, sobre o tempo do outro. Parar no amarelo significaria oferecer a sua contribuição individual em nome da coletividade. E isso o PIB prefere morrer antes de fazer.
Na verdade, basta um teste simples para identificar outras atitudes que definem o PIB: liste as coisas que você teria que fazer se saísse do Brasil hoje para morar em Berlim ou em Toronto ou em Sidney. Lavar a própria roupa, arrumar a própria casa. Usar o transporte público. Respeitar a faixa de pedestres, tanto a pé quanto atrás de um volante. Esperar a sua vez. Compreender que as leis são feitas para todos, inclusive para você. Aceitar que todos os cidadãos têm os mesmos direitos e os mesmo deveres – não há cidadãos de primeira classe e excluídos. Não oferecer mimos que possam ser confundidos com propina. Não manter um caixa dois que lhe permita burlar o fisco. Entender que a coisa pública é de todos – e não uma terra de ninguém à sua disposição para fincar o garfo. Ser honesto, ser justo, não atrasar mais do que gostaria que atrasassem com você. Se algum desses códigos sociais lhe parecer alienígena em algum momento, cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus do PIB. Reaja, porque enquanto não erradicarmos esse mal nunca vamos ser uma sociedade para valer.
Fonte: Adriano Silva – jornalista - Revista SUPERINTERESSANTE – Edição 335 – Julho/2014 – Pgs. 24-25. Edição impressa.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Trocando ideias... Dicas para a Adaptação Escolar!
Para início de conversa!
Adaptação é um período de adaptação para todos, pais, professoras e crianças. Por envolver um encontro com o desconhecido, desperta medo, mas também vem carregada de expectativas. Com o medo, uma infinidade de sentimentos vem na carona, tanto para a criança, quanto para a família, e com as expectativas cria-se uma gama de idealizações.
Quando o assunto é a entrada na educação infantil, falar em adaptação torna-se inevitável, pois esta envolve sentimentos despertados nos pais, na criança e na equipe que vai receber a criança. Este processo pode parecer simples para quem não está envolvido, mas para quem o vive ele é um obstáculo que por vezes parece intransponível. O coração das mamães, muitas vezes, fica apertadinho e a cabeça inundada de perguntas: “será que vão cuidar bem dele?”, será que ele vai dormir?”, “como vai ser na hora de comer”, “ e quando ele chorar?”…
Do lado dos pais vem a culpa por deixar aquele pedacinho de gente num lugar desconhecido, cheio de crianças. Há o medo que não cuidem bem dele, a fantasia de o estarem abandonando, sendo egoístas. Do lado do bebê/criança, o medo de estar sendo deixado, de não saber para onde vão os pais quando somem de seu campo de visão e a insegurança gerada por aquele novo, atraente e assustador universo que se apresenta. E, por fim, do lado dos educadores, o medo de não atender as expectativas dos pais e de não serem capazes de aplacar a angustia do bebê.
Para algumas crianças será mais fácil, para outras mais difícil, e a melhor forma de facilitar esta experiência é transmitir segurança, através da confiança nos profissionais e do estímulo ao desenvolvimento da autonomia. Passada a turbulência inicial, começam a aparecer às conquistas e as novas aquisições.
Será normal a criança chorar na hora que a mãe sair da sala ou quando deixar de entrar. A maioria chora, mas logo para. A professora deve sempre, nessas situações, tentar acalmar a criança e, caso ela não consiga e fique claro o seu sofrimento, chamar a mãe (se a escola for pautada no respeito com a criança é isso que acontece). Mas lembro que nem todo choro representa sofrimento que não se possam suportar.
Mamães e papais, tenham em mente que a escola será boa para seu filho. Ele aprenderá a se socializar, a ter maior autonomia, a resolver pequenos problemas e irá brincar muito e fazer vários amigos e esta é uma das maiores riquezas da nossa vida. Além disso, vocês terão mais tempo para cuidarem de si, do casamento, para trabalhar, estudar ou seja o que for que desejem, e isto é saudável. E não esqueçam nunca que: à separação todos nós sobrevivemos e ela é inevitável ao longo da vida. Frente à ela, só podemos nos agarrar à certeza de que é algo passageiro e que o reencontro virá no final do dia!
Preparamos para os pais da Escola Infantil do CENSA algumas dicas, a partir do guia elaborado por Simone Helen Drumond:
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