Vivemos em um mundo acelerado, tudo é muito rápido,
tudo é para ontem. Isso tem gerado uma ansiedade muito grande nas crianças. O exercício da paciência talvez seja o
maior desafio para nós, adultos, e para elas. Conviver com pessoas mais
velhas, que vêm de um outro ritmo de vida - como os avós, é um caminho
possível. Sobre isso, a autora do livro: Crianças Francesas dia a dia, Pamela
Druckerman, jornalista americana que viveu dez anos na França, sublinha que a
chave dessa educação tão bem sucedida na França tem como pilar a paciência.
Chama atenção também no seu livro para a certa
independência das crianças francesas. De acordo com Druckerman, elas brincam
sozinhas e não interrompem os pais a todo momento em busca de atenção, ao passo
que os pais também não fazem dos filhos o centro exclusivo de suas vidas. Para
a pesquisadora da UFMG Laura Guimarães, isso pode ter ligações com o
desenvolvimento do feminismo na França e as mudanças que ele provocou no
comportamento materno. "As francesas estão há muito tempo tentando
desconstruir esse mito da valorização do sacrifício materno, da mãe como aquela
que deixa de fazer tudo para se dedicar ao filho e, com isso, a criança tem que
ter uma vida mais independente. A mãe não fica mimando a criança o tempo
todo".
A
sabedoria dos pais franceses
Palavras mágicas - Há cinco palavras básicas que as
crianças devem sempre usar: "oi",
"tchau", "obrigado" “com licença” e "por favor".
Não é só uma questão de educação, mas também uma forma de evitar o egoísmo e
lembrar as crianças da existência das outras pessoas.
Os pais franceses buscam equilíbrio entre impor limites e dar liberdade. A
metáfora de um quadro é usada pela autora para explicar a ideia: a moldura indica os limites estabelecidos
pelos pais, mas dentro dela há liberdade para a criança.
Os pais franceses não têm medo de dizer não. É
preciso usar a palavra quando necessário para que os filhos aprendam desde cedo
a lidar com frustrações. Ao mesmo tempo, é uma forma de mostrar às crianças
sobre quem está no comando da situação.
Outra questão é a educação Gourmet por excelência, os franceses utilizam a tradição à mesa,
marcada por refeições longas, com mais de um prato, para ensinar os pequenos a
serem pacientes.
Mães de
qualquer lugar podem ensinar aos seus filhos paciência. Mas os franceses acham
que paciência é uma habilidade que você deve ensinar para as crianças, assim
como você ensina o alfabeto ou a andar de bicicleta. Os franceses acreditam que
as crianças são mais felizes quando não estão à mercê de suas próprias
vontades. Os cientistas descobriram que os franceses estão certos: paciência é
como um músculo, fica mais forte quando é praticada.
Eles
ensinam as crianças a terem paciência em detalhes do dia-a-dia. Por exemplo, se
a criança tenta interromper, eles vão dizer para que ela espere. Mas isso vale
para o outro lado também: se a criança está feliz, brincando, seus pais também
não vão interromper.
Pais
franceses acham que é crucial ouvir com atenção seus filhos e dizer “sim” a
eles sempre que possível. Mas eles
também acreditam que é importante ser rigoroso em relação a algumas coisas que
são chaves para as demais. Por exemplo, na hora de dormir, algumas vezes os
pais vão dizer para as crianças que elas devem ficar em seus próprios quartos.
Isso não é negociável. Mas, uma vez que elas estejam em seus quartos, elas
podem fazer o que gostam. Então, existe a parte da liberdade também, o que faz
com que a criança se sinta autônoma e respeitada. É
verdade que as escolas francesas são muito rigorosas na questão disciplinar e
de horários, por exemplo. Mas os franceses também acreditam que, se uma
criança acha que tudo é negociável, isso vai tornar a própria criança e toda a
família infeliz. Eles acham que aprender a lidar com frustrações é uma
importante habilidade para toda a vida, afinal a vida também pode ser
frustrante. O resultado disso tudo, de
acordo com as experiências da autora, são menos birras e manhas e mais tempo
livre e calmo para brincar. Quando se pergunta para pais franceses o que eles
mais querem para suas crianças, é sempre alguma coisa como “se sentir
confortável na própria pele”, o que me parece ser um objetivo que vale muito a
pena. Outro ponto importante ressaltado pelos psicólogos franceses é o casal como
fundamento da família, quanto mais forte for a relação entre pai e
mãe, mais a criança será segura, educada e independente.