terça-feira, 14 de julho de 2015

Paciência é a lição dos pais franceses



Vivemos em um mundo acelerado, tudo é muito rápido, tudo é para ontem. Isso tem gerado uma ansiedade muito grande nas crianças. O exercício da paciência talvez seja o maior desafio para nós, adultos, e para elas. Conviver com pessoas mais velhas, que vêm de um outro ritmo de vida - como os avós, é um caminho possível. Sobre isso, a autora do livro: Crianças Francesas dia a dia, Pamela Druckerman, jornalista americana que viveu dez anos na França, sublinha que a chave dessa educação tão bem sucedida na França tem como pilar a paciência.
Chama atenção também no seu livro para a certa independência das crianças francesas. De acordo com Druckerman, elas brincam sozinhas e não interrompem os pais a todo momento em busca de atenção, ao passo que os pais também não fazem dos filhos o centro exclusivo de suas vidas. Para a pesquisadora da UFMG Laura Guimarães, isso pode ter ligações com o desenvolvimento do feminismo na França e as mudanças que ele provocou no comportamento materno. "As francesas estão há muito tempo tentando desconstruir esse mito da valorização do sacrifício materno, da mãe como aquela que deixa de fazer tudo para se dedicar ao filho e, com isso, a criança tem que ter uma vida mais independente. A mãe não fica mimando a criança o tempo todo".

A sabedoria dos pais franceses

Palavras mágicas - Há cinco palavras básicas que as crianças devem sempre usar: "oi", "tchau", "obrigado" “com licença” e "por favor". Não é só uma questão de educação, mas também uma forma de evitar o egoísmo e lembrar as crianças da existência das outras pessoas.
Os pais franceses buscam equilíbrio entre impor limites e dar liberdade. A metáfora de um quadro é usada pela autora para explicar a ideia: a moldura indica os limites estabelecidos pelos pais, mas dentro dela há liberdade para a criança.
Os pais franceses não têm medo de dizer não.  É preciso usar a palavra quando necessário para que os filhos aprendam desde cedo a lidar com frustrações. Ao mesmo tempo, é uma forma de mostrar às crianças sobre quem está no comando da situação.
Outra questão é a educação Gourmet por excelência, os franceses utilizam a tradição à mesa, marcada por refeições longas, com mais de um prato, para ensinar os pequenos a serem pacientes.
Mães de qualquer lugar podem ensinar aos seus filhos paciência. Mas os franceses acham que paciência é uma habilidade que você deve ensinar para as crianças, assim como você ensina o alfabeto ou a andar de bicicleta. Os franceses acreditam que as crianças são mais felizes quando não estão à mercê de suas próprias vontades. Os cientistas descobriram que os franceses estão certos: paciência é como um músculo, fica mais forte quando é praticada.    

Eles ensinam as crianças a terem paciência em detalhes do dia-a-dia. Por exemplo, se a criança tenta interromper, eles vão dizer para que ela espere. Mas isso vale para o outro lado também: se a criança está feliz, brincando, seus pais também não vão interromper.                                                                                                           
Pais franceses acham que é crucial ouvir com atenção seus filhos e dizer “sim” a eles sempre que possível. Mas eles também acreditam que é importante ser rigoroso em relação a algumas coisas que são chaves para as demais. Por exemplo, na hora de dormir, algumas vezes os pais vão dizer para as crianças que elas devem ficar em seus próprios quartos. Isso não é negociável. Mas, uma vez que elas estejam em seus quartos, elas podem fazer o que gostam. Então, existe a parte da liberdade também, o que faz com que a criança se sinta autônoma e respeitada.                                    É verdade que as escolas francesas são muito rigorosas na questão disciplinar e de horários, por exemplo. Mas os franceses também acreditam que, se uma criança acha que tudo é negociável, isso vai tornar a própria criança e toda a família infeliz. Eles acham que aprender a lidar com frustrações é uma importante habilidade para toda a vida, afinal a vida também pode ser frustrante. O resultado disso tudo, de acordo com as experiências da autora, são menos birras e manhas e mais tempo livre e calmo para brincar. Quando se pergunta para pais franceses o que eles mais querem para suas crianças, é sempre alguma coisa como “se sentir confortável na própria pele”, o que me parece ser um objetivo que vale muito a pena. Outro ponto importante ressaltado pelos psicólogos franceses é o casal como fundamento da família,  quanto mais forte for a relação entre pai e mãe, mais a criança será segura, educada e independente. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário