segunda-feira, 31 de março de 2014

Tarefa de casa


Aprendizagem, em que os pais podem ajudar? 
 

A família desempenha um papel importante na formação do indivíduo, pois permite e possibilita a constituição de sua essencialidade. É nela que o homem concebe suas raízes e torna-se um ser capaz de elaboração alargador, de competências próprias. A família é, portanto, a primeira instituição social formadora da criança. Dela depende em grande parte a personalidade do adulto que a criança virá a ser.

   Aliada à família a escola é a segunda instituição social formadora da criança, cabendo a estas duas instituições uma relação de parceria no processo de aprendizagem da criança. Neste contexto muitos pais se questionam: Como deixar o processo mais divertido? O que posso fazer para ajudar meu filho a escrever com prazer? Devo pressionar meu filho para ele aprender rápido?Infelizmente, para muitas famílias, a vida escolar do filho só é, de fato, valorizada e reconhecida, quando a criança ingressa na classe de alfabetização, no entanto é preciso levar em consideração que a alfabetização acontece desde o momento em que a criança entra em contato com o mundo letrado. Por isso é fundamental oferecer estímulos para que as crianças entrem em contato com as letras e números de forma prazerosa e contextualizada.

   O processo de aprendizagem da língua escrita não é fácil e requer muito trabalho e empenho de todos os envolvidos. Ele engloba muitos aspectos que dizem respeito não só à maturidade cognitiva, mas também à maturidade emocional do(a) aluno(a), sendo um processo que se inicia na Educação Infantil e se consolida no 1°. Ano do Ensino Fundamental.

   Em todo o processo de alfabetização é muito importante que sejam propiciadas situações em família com o objetivo de que a criança leia e escreva, independente das tarefas enviadas pela escola, que, com certeza, não irão suprir esta demanda.O "exercício" da escrita e leitura se faz, muitas vezes, de forma não sistematizada, por isso a família tem um papel estratégico. Como diz Emília Ferreiro: "...permite-se e estimula-se que a criança tenha interação com a língua escrita nos mais variados contextos".Algumas dicas podem ajudar neste processo:  
       
- Busque, fora do contexto escolar, situações para leitura e escrita, optando por textos e livros mais simples, curtos e de fácil entendimento. Podem também ser textos escritos pela própria criança ou pelo adulto. Incentive-o a confeccionar listas de supermercado, bilhetes, agendas, diários, entre outros. 

- Tire as dúvidas, leia e escreva as palavras que a criança não conseguir ler ou escrever.

- Se perceber que seu filho(a) está com muitas dificuldades, reveze a escrita e a leitura com ele(a) de palavras simples.                          
                                                                                                             
- Utilize jogos de memória ou quebra-cabeças que relacionem figuras e letras, figuras e sílabas.   

- Demonstre motivação, paciência e interesse pelo que a criança está escrevendo e lendo. Encontre tempo e disponibilidade para acompanhar as tarefas de seu filho(a).       

- Busque horários e locais adequados para as tarefas de casa e para as atividades de "letramento". Mesmo motivadas, a escrita e a leitura não podem competir, por exemplo, com a televisão, com o irmão muito menor que mexe em tudo, com os videogames, com o horário do desenho predileto ou do playground, entre outros.                                                                                                                                                    

- Se a criança demonstrar desinteresse pelo convite à escrita e leitura, não desista. Busque outro horário, outro momento, insista, mas sempre com bom senso.                                                                                    
- Visite bibliotecas e livrarias com a criança e exercite com ela a escolha de títulos. Busque conhecer suas preferências literárias. Você pode se surpreender...                                                                                           
- Não deixe de sempre fazer a leitura dos livros já utilizados pela escola nos anos anteriores e de outros títulos que você oportunizar a ele.                                                                                                                              
- Utilize alguns sites que oferecem jogos e atividades que oportunizem o contato com a escrita:
- Ao final da leitura de um livro ou texto, comente sua opinião sobre o que foi lido e pergunte o que ele(a) achou, de que parte mais gostou, se indicaria para outra pessoa, entre outros. Isso é fazer a criança perceber a "função social da leitura e da escrita", afinal, não se aprende a ler e escrever somente para fazer tarefas escolares.      
                                      
- Incentive e elogie cada avanço e conquista, afinal, a apropriação do código escrito não é uma tarefa fácil.- É comum que os pais tenham dúvidas sobre o processo. Se isso acontecer, busque conversar com o professor de seu filho ou com a supervisão pedagógica. 

 Importante: Divirta-se e emocione-se com este momento mágico e surpreendente da vida de seu filho(a), pois ele tende a passar muito rápido.                                                   





O desenho e o desenvolvimento infantil

A importância do desenho no desenvolvimento infantil





      Toda criança adora desenhar. Isso se deve ao fato de que o desenho é uma atividade lúdica e divertida, na qual a criança tem a liberdade de se expressar através de traços e cores.                                    
Desenhar, além de ser uma forma de expressão, contribui para o desenvolvimento infantil, pois ajuda na organização do pensamento, coordenação entre visão e movimento da mão usada para escrever (essencial para a alfabetização), construção de noção espacial e outros aspectos  cognitivos. Os desenhos infantis, na maioria das vezes sem lógica para os adultos, podem demonstrar a maneira como a criança entende o objeto desenhado e não apenas como ela o vê. Por isso, nem sempre o desenho é uma cópia fiel da realidade. Ao desenhar a criança também imprime suas ideias e sentimentos. O desenho infantil pode dar pistas de como o raciocínio da criança está estruturado. Por esse motivo, muitos educadores utilizam o desenho infantil para planejar ações didáticas. Psicólogos e psicopedagogos também usam desenhos infantis como uma de suas ferramentas para diagnóstico e intervenções terapêuticas.                                                                         
Além de desenhar na escola, as crianças devem desenhar também em casa. Os pais podem deixar à disposição de seus filhos materiais para desenho. Para as crianças pequenas, de até 4 anos, o ideal é utilizar folhas maiores (uma cartolina dividida ao meio ou papel pardo), pois como a criança ainda está desenvolvendo sua coordenação motora, ela terá mais espaço para executar movimentos amplos com o lápis. Uma folha pequena dificulta isso e também é garantia de ter a mesa “rabiscada”, pois certamente o espaço limitado não será suficiente para o desenho.Deve ser usado também giz de cera grosso, pois é mais resistente e adapta-se melhor às pequenas mãos das crianças.                                                                                                                            
As crianças maiores já podem utilizar folhas de tamanho A4. Outra dica é oferecer aos pequenos outros suportes para desenho e papeis de diferentes texturas, tamanhos e formas. Nem todo papel precisa ser retangular. Ao desenhar em círculos e triângulos, por exemplo, a criança vai desenvolvendo também a noção de formas geométricas. Além de giz de cera, podem ser usados lápis de cor, caneta hidrocor e tintas para tintura a dedo ou pincel. É importante que a criança fique livre para escolher as cores que desejar. Vale lembrar que nem sempre as cores escolhidas corresponderão à realidade, ou seja, a criança pode determinar que o céu, ao invés de azul, será verde. O adulto não deve interferir e nem corrigir dizendo à criança que o céu é azul. Ao terminar o desenho, o adulto pode perguntar à criança o que ela desenhou. Ao ouvir as explicações, certamente achará graça e se surpreenderá com a criatividade dos pequenos.


Como estimular a criança a desenhar


Quando se estimula a criança a desenhar estaremos oportunizando o desenvolvimento de sua percepção, emoção e inteligência. A criança contará com mais meios para expressar-se e adquirirá mais prática e experiências. A potencialidade criativa que tem uma criança é enorme, mas nem sempre se reconhece isso a não ser que lhes ofereçam a oportunidade de colocá-las em prática.

Uma boa forma para estimular a seu filho que desenhe é criando um espaço, um cantinho para pendurar seus desenhos. Convide-o a criar um espaço para uma exposição dos seus desenhos preferidos. Assim, quando vierem os amigos e familiares, poderão “visitar” a exposição. O local pode ser num quadro de cortiça, na porta do armário do quarto, atrás da porta da entrada da casa, ou em qualquer outro lugar.




A encantadora dos bebês - parte 2


A Epidemia “Faça-os felizes” (Parte 2): Emoções Descontroladas - os Fatores de Risco 


Recortes do livro: A encantadora de bebês resolve todos os seus problemas: sono, alimentação e comportamento: do nascimento até os primeiros anos da infância. Barueri, SP: Manole, 2006.
               

        Ao longo das fases do desenvolvimento aumenta a necessidade de orientação e da construção de limites por parte dos pais em relação aos seus filhos. De acordo com Hogg (2006), embora o ajuste emocional da criança modifique entre 1 a 3 anos de idade, ao longo dos anos é preciso ensinar a criança a distinguir as ações boas das más, e as certas das erradas, e mostrar-lhe como entender e controlar suas emoções. Do contrário, ela não saberá o que fazer quando tiver sentimentos muito fortes. Nesse caso, particularmente quando enfrenta um limite ou restrição, ela se torna frustrada e sofre o que eu chamo de “emoções descontroladas”.    Quando isso acontece com o seu filho ele não sabe o que se passa e não tem o poder de interromper o ciclo crescente de sentimentos.                                                                                                                                          
        Não é surpresa que as crianças propensas às emoções descontroladas tornem-se socialmente isoladas. Todos nós sabemos de qual tipo de criança estou falando (“Antes eu convidada Bobby para os encontros para brincadeiras, mas ele é tão agressivo que resolvi não convidá-lo mais”). Isso não é culpa do pobre Bobby: ninguém lhe ensinou como controlar seus sentimentos ou lidar com eles, quando saem do controle. Obviamente, ele deve ser uma criança enérgica, propensa a alterações emocionais, mas o temperamento não precisa ser um atestado do destino. As emoções descontroladas também podem levar à agressividade crônica; nesse caso, emoções e frustrações descontroladas são descontadas nos outros.                                               
         Quatro elementos colocam a criança em risco de descontrole emocional: o temperamento, os fatores ambientais, os problemas no desenvolvimento e, talvez o mais importante, o seu comportamento. É óbvio que esses quatro fatores de risco são interligados, mas às vezes um deles predomina. Neste texto, vamos analisar resumidamente o primeiro elemento – Estilos emocionais/sociais da criança - e nos próximos os outros três.                                                             
    Além do temperamento, que literalmente vemos desde o nascimento, as criança também desenvolvem certos estilos emocionais/sociais nos relacionamentos:

O feliz aventureiro brinca alegremente quando está em grupo.  Você repreende o mau comportamento dela, e ela aprende com facilidade. Ela compartilha suas posses com boa disposição e até oferece os brinquedos para as outras crianças. Em casa, ela é do tipo que geralmente faz o que você pede – por exemplo, guarda os brinquedos sem fazer manha. Esta criança frequentemente é a líder de seu grupo, mas não pede para ser encarregada. As outras crianças gravitam naturalmente ao seu redor. Você não precisa fazer nada para melhorar sua vida social, pois ela se dá muito bem com os grupos e se adapta facilmente à maioria das situações.        

A criança alegre, porém reservada, sempre brinca sozinha. Em casa, ele é plácido e em geral não chora desnecessariamente, a menos que se machuque ou esteja cansado. Costuma observar atentamente as interações entre as outras crianças. Se ele tem um brinquedo e uma criança o deseja (e ela é mais agressiva), em geral ele desiste imediatamente, porque viu como essa outra criança age e tem medo dela. Ele não é tão temeroso quanto uma criança ultrassensível, mas você precisa observar em que tipo de situação o coloca. É bom reuni-lo a outras crianças em novas situações, mas fique por perto e observe. Não se preocupe por ele estar solitário. Veja isso como um sinal de que ele é confiante o suficiente para brincar sozinho. Você pode tentar ampliar a vida social dele organizando encontros para brincadeiras com outras crianças alegres e reservadas, ou até mesmo um “aventureiro” feliz com o qual ele se dê bem.                                                                                                                                                                            
A criança ultrassensível corresponde exatamente a esse rótulo. O mínimo de estímulo o perturba emocionalmente. Esta é uma criança que foi excessivamente carregada no colo quando bebê. Ele gosta de ficar perto dos pais nas novas situações. Em um grupo, provavelmente ficará no colo da Mamãe, observando as outras crianças sem interagir com elas. Ele chora com facilidade. Se outra criança chega muito perto e pega um brinquedo, ou se mamãe dá atenção à outra criança, ele tem um ataque. Faz muita manha. Algumas crianças ultrassensíveis estão sempre nervosas, porque se frustram com muita facilidade. É importante que os pais permitam que essa criança faça as coisas ao seu tempo, e que tomem cuidado ao introduzir novas situações.                                                                                                                
Uma criança de reações fortes, com energia de sobra. Isso pode torná-la segura de si, e até mesmo agressiva e impulsiva. A maioria das crianças pensa que tudo gira ao seu redor; mas este tipo é ainda mais determinado. Ela é muito forte, competente e física. Percebe rapidamente que pode dar um tapa, morder ou chutar ou, seja qual for o método, usar a força para conseguir o que quer. Se você tentar forçá-la a dividir algo, ela fará um escândalo. As outras crianças frequentemente a veem como a “valentona” do grupo. Essa criança precisa de muita atividade para canalizar sua energia. É importante que os pais saibam os fatores que a deixam descontrolada; eles precisam conhecer os sinais de que ela está perdendo o controle, e agir antes que o escândalo comece.                                                                                                                               
Embora o temperamento seja bastante consistente, os estilos emocionais/sociais evoluem à medida que a criança cresce. Uma criança alegre, porém reservada pode um dia “sair da concha”. Uma criança  de reações fortes pode se refrear quando entra na pré-escola. Porém, em geral essas mudanças ocorrem com a orientação dos pais e a parceria com a escola. É por isso que a “Qualidade do ajuste” entre os pais e a criança continua sendo importante. A natureza da mãe pode colidir com a personalidade da criança ou completando suas interações em uma variedade cada vez mais ampla de situações. Porém, é importante olhar também no espelho – saber quais são as nossas vulnerabilidades e perceber quais pontos fracos a criança pode usar contra nós.  Se amadurecermos, poderemos nos adaptar para agir  e atender a criança através do diálogo e do carinho, sem perder a firmeza (essência da paternidade objetiva).

Referência Bibliográfica: HOGG, Tracy. A encantadora de bebês resolve todos os seus problemas: sono, alimentação e comportamento: do nascimento até os primeiros anos da infância. Barueri, SP: Manole, 2006.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Mordidas na educação infantil: como lidar?

Como LIDAR com a fase das mordidas?

Veja as dicas dos especialistas para saber o que fazer quando seu filho chega em casa com uma mordida ou quando você recebe a queixa de que ele mordeu alguém
O coleguinha de classe não quis dividir o brinquedo? Nhac! A mãe está grávida de um irmãozinho? Nhac! Mais do que uma reação de raiva, as mordidas dadas pelas crianças pequenas, com até 2 ou 3 anos de idade, são uma forma de comunicação e de expressão de sentimentos. "Nessa primeira etapa da vida, a criança ainda não domina a linguagem. Então, a forma que ela tem para se expressar, para se comunicar e interagir com os outros é pelos meios físicos, como morder, bater, puxar o cabelo", explica Marilene Proença, membro da diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee) e professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.                                                                                                                              
Conheça abaixo um pouco mais sobre essa fase e veja as dicas dos especialistas para saber como lidar quando seu filho é a vítima da mordida ou quando é o autor da dentada em um coleguinha da escola ou mesmo em um adulto.
Por que as crianças mordem?
Enquanto ainda não sabem falar com desenvoltura, as crianças utilizam outros meios para se expressar e para se comunicar. A mordida é uma delas. "As crianças na idade oral ainda não verbalizam com fluência e a linguagem do corpo acaba sendo mais eficaz", diz Rosana Ziemniak, coordenadora de Educação Infantil do Colégio Magister, de São Paulo.   "Nessa fase em que as crianças ainda não têm domínio da fala, as manifestações corporais são usadas para manifestar descontentamento, alegria, descobertas", diz Marilene Proença , membro da diretoria da Associação brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee) e professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.                                                                                                                              
Rosana Ziemniak acrescenta: "O que a criança deseja ao morder um amiguinho não é agredi-lo, mas sim obter de forma rápida algum objeto ou chamar atenção". As mordidas, segundo Marilene Proença, são usadas em situações diversas, e a criança vai avaliando quais os efeitos que elas têm: "A criança morde e depois vê o que acontece. Por exemplo, se ao morder ela consegue o que quer, qual é a reação do outro", comenta Marilene.
Como lidar com a criança que morde?                                                                                                                   
Quando a criança morde outra pessoa, é importante a mediação de um adulto, para fazer com que ela reflita sobre o que fez e para que entenda que há outras maneiras de conseguir o que deseja. "O adulto deve mostrar à criança que há outros meios de expressar-se ou de conseguir o que se quer. Pode-se dizer, por exemplo: 'se você não gostou do que ele fez, vamos dizer isso a ele', ou 'você quer o brinquedo? Então vamos pedir o brinquedo'", diz Marilene Proença, membro da diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee) e professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. A especialista afirma que o adulto deve mostrar à criança que a linguagem é a forma certa de se obter as coisas. "O papel do adulto é transformar a atitude corporal em uma atitude mediada pela linguagem. Esse é um grande objetivo da educação, tanto na escola quanto em casa", explica ela. Quando esse ensinamento não é dado logo cedo, as crianças crescem e mantém as atitudes corporais para conseguir o que querem. É o que se vê quando crianças mais velhas se atiram no chão e fazem escândalo quando são contrariadas.      
A criança que morde na verdade está procurando uma forma prazerosa de se expressar com o mundo, de se descobrir dentro dele, pois nesta fase a sua libido está centrada na boca, na porção superior do trato digestivo.  Através desse contato, aos poucos vai percebendo várias diferenças como doce e salgado, duro e mole. E na escola, ao morder um amigo, descobre novas sensações de prazer, como em ver o susto, a reação, o choro do outro. A partir dessa sensação agradável, volta a fazer repetidamente.                                                                                                                                                                                                                          
As mordidas acontecem em situações de disputa por brinquedos ou quando entra uma criança nova no grupo, causando emoções como insegurança, medo da perda ou ciúmes do novato, já que a professora está com a atenção mais voltada para o mesmo. Como não consegue administrar seus sentimentos, manifesta o incômodo através da mordida.                                                                             
Um grande problema que temos presenciado comumente entre as famílias, são os pais brincando com os filhos usando a boca, dando pequenas mordidas nos mesmos, fazendo barulhos, etc. Essas atitudes não são erradas, mas podem confundir as crianças, que reportam para outras crianças as mesmas brincadeiras, porém podendo machucá-las, já que ainda não possuem domínio da força da mandíbula. As famílias devem se conscientizar que essas brincadeiras, apesar de trazerem sentimentos positivos, podem causar atitudes de agressividade na criança, que ainda não controla seus impulsos e não sabe distinguir o certo e o errado.                                                                                                                                                                                                                                          
A mordida na escola é uma situação constrangedora para todos os envolvidos. Os pais da criança mordedora sentem-se muito mal, ficam envergonhados, os pais da criança agredida ficam chateados com o machucado do filho e sentem-se culpados por deixarem a criança na escola. Já a escola, por sua vez, tem a difícil tarefa de mediar às relações entre as crianças e seus familiares, a fim de amenizar os sentimentos negativos da situação.                                                                                                                                  
Devem criar situações para estabelecer os limites dentro da mesma, mostrando para os alunos que devem respeitar os amigos, tratá-los bem, com carinho e mostrar que a criança machucada fica triste, que chora por ter sentido dor. Aos poucos, as crianças vão apreendendo esses conceitos e descobrindo outras formas de sentir prazer.

quinta-feira, 13 de março de 2014

A Epidemia "Faça-os felizes"! (A encantadora de bebês)



A Epidemia “Faça-os felizes” ( Parte 1) - Reflexões a partir da autora Tracy Hogg 

   “Carol e Terry são como diversos pais que eu conheci com o passar dos anos. Embora a filha tenha de tudo, eles esqueceram de lhe dar uma coisa muito importante: limites. Para piorar as coisas, sempre ofereciam algo como resposta às emoções dela. Eles se sentiam culpados quando Courtney ficava triste ou brava, e por isso ofereciam brinquedos para distraí-la. Além disso, cediam sempre que Courtney fazia um mínimo de manha, reforçando cada vez, a crescente capacidade dessa criança para manipulá-los.”
Carol e Terry são vítimas do que a autora Tracy Hogg (2006) intitulou de “Epidemia faça-os felizes”. Os pais de hoje, principalmente os que trabalham fora, são particularmente mais suscetíveis, porém este é um fenômeno que transcende idade, status econômico, localização geográfica e cultura. A grande maioria dos pais modernos enfrenta o problema de disciplinar os filhos, porque parece pensar que seu trabalho é fazê-los felizes. Entretanto, ninguém é feliz o tempo todo – a vida simplesmente não é assim. Nós, pais, precisamos ajudar a criança a identificar toda a gama de emoções humanas que ela sente, e a aprender a lidar com essas emoções. Do contrário, privamos a criança do direito de aprender a se acalmar e de participar do mundo real e social. A criança precisa ser capaz de ouvir e seguir as orientações, relacionar-se com outras pessoas e fazer transições de uma atividade para outra – todas essas capacidades são de ajuste emocional. 
“Precisamos nos preocupar menos em fazer as crianças felizes, e nos dedicar mais a prepará-las para serem ‘emocionalmente bem ajustadas’. A ideia não é protegê-las contra seus sentimentos, mas oferecer ferramentas para que elas possam lidar com as situações do cotidiano, o tédio, as decepções e os desafios enquanto a vida vai passando. Para isso precisamos estabelecer limites, ajudá-las a entender seus próprios sentimentos e mostrar como controlar o humor. Quando você assume essa responsabilidade, o seu filho sabe que deve levar a sério o que você diz.” (Hogg, 2006).
O ajuste emocional intensifica o elo entre a mãe e a criança, porque possibilita uma relação de confiança que inicia-se desde o dia em que o bebê ingressa no mundo. Essa base é fundamental para as crianças em crescimento – afinal, elas devem saber que podem contar com os pais quando estão com medo, com raiva ou excessivamente animadas, e que podem lhe contar o que sentem sem que seus pais tenham uma reação exagerada.
É fundamental compreender os ingredientes da educação emocional: porque é importante administrar as emoções descontroladas e saber o que fazer quando a criança perde o controle.
Nos próximos textos apresentaremos uma análise da autora Hogg (2006) acerca da importância de ser uma mãe ou pai objetivo – que sabe enxergar a criança da maneira que ela é, e que sabe ver seu comportamento com clareza; e, tão importante quanto isso, que consegue manter suas próprias emoções fora da situação, para agir em relação aos sentimentos do filho, em vez de negá-los. Isso é um desafio... porque exercer a paternidade e a maternidade exige um aprendizado constante! 

Referência Bibliográfica: Hogg, Tracy. A Encantadora de bebes resolver de Todos os SEUS Problemas: sono, Alimentação e Comportamento: do Nascimento ATÉ OS Primeiros Anos da infância. Barueri, SP: Manole, 2006.

                        

Atenciosamente, Liliana Azevedo Nogueira Wagner (Supervisora Pedagógica).