quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Operação Contra a birra


Ele chora e você faz, ele pede e você deixa? Essa pode não ser a melhor maneira de lidar com a manha do seu filho. Descubra por que ela acontece e aprenda a driblar os principais sintomas da tão temida birra.
Quem passeava pelo Park Shopping, em Curitiba (PR), ficou espantado quando Marina, de 2 anos, começou a correr de um lado para o outro, se jogar no chão, mexer nos brinquedos de uma loja infantil e gritar descontroladamente.  Situação semelhante viveu a mãe de Vitor, 3 anos, quando ele dava chilique em um supermercado porque a mãe não quis comprar tudo que ele colocou no carrinho. Já a mãe de Bernardo, de 1 ano e 8 meses, se diz assustada: ¨Ele não reclamava de nada , era um verdadeiro anjo. Agora, abre o berreiro, quer tudo e na força. Levo uns 20 minutos para botar uma fralda ou uma roupa. É desesperador!¨.
O que essas mães não sabem é que o drama vivido por elas é normal, em certas medidas até saudável. Tem data para aparecer e, quando bem administrada pelos pais, data para ir embora. É a famosa birra, também conhecida como manha ou chilique. Para detoná-la, basta que a criança seja contrariada. Um simples ¨não¨ pode fazê-la aprontar um verdadeiro show, com direito a berros, chororô sem lágrimas, chutes e, em casos extremos, até  perda de ar.
Ataques como esses podem se manifestar a partir dos 6 meses de idade e chegam ao ápice entre 2 e 3 anos, fase na qual a criança começa a explorar melhor o mundo. A birra se torna então o caminho mais fácil para pôr para fora tudo aquilo que está sentindo, como explica a psicóloga infantil Vera Zimmermann, da Unifesp ( SP): ¨No meio dessas transformações, ela adquire experiências prazerosas e não quer abrir mão disso. Quando os pais dizem o primeiro ¨ não ¨, é com choro e gritaria que ela põe a frustração para fora¨.
A forma de manifestar o descontentamento se dá por meio de três fases. Primeiro vem o grito, depois as ações físicas e, por último, a lamentação e o reconhecimento.
       RECEITA ANTIMANHA ( Entendendo a birra como uma dificuldade de se expressar, os pais têm algumas maneiras para ajudar desde cedo, a evitar o que, mais tarde, pode se transformar em um chilique mais forte):
1 – SENTIMENTOS PARA FORA – Auxiliar a criança a verbalizar o que ela está sentindo.
2– MUITA CALMA NESSA HORA – Dar alternativas para que a criança se acalme. Vale um passeio no parque, fazer carinho no cachorro ou o bom  e velho colo, desde que não seja isso que ele está pedindo.
3 – DIÁLOGO SEMPRE – Sempre conversar antes. Se você vai à casa de um amigo ou ao shopping e sabe que seu filho costuma dar show nessas ocasiões, explique tudo para ele antes.
4 – MUDANÇA DE FOCO – Aquele momento imediatamente anterior ao provável chilique. Se vocês estão na loja de brinquedos e seu filho começa a insistir muito que quer um, por exemplo, a melhor maneira é desviar o foco antes que ele comece a bater o pé.
5- LIMITE SEMPRE – A mais importante missão dos pais na operação antibirra, é o famoso limite. Como escreve a psicóloga Tânia Zagury em seu livro Limite sem Trauma ( Ed. Record), ¨ a criança nasce sem qualquer noção de valores, sem saber o que é certo ou errado. São os pais que devem, paulatinamente, mostrar aos filhos o que se pode ou não fazer em sociedade¨. Por isso, especialistas concordam que, quando o  seu filho dá um chilique daqueles que todo mundo se sente no direito de julgar, das duas, uma: ou os pais cedem com facilidade aos desejos da criança, ou eles ainda não explicaram claramente que a vida é feita de regras.
       Quando você não deixa claro desde cedo o que é certo e o que é errado, não dá para exigir que seu filho controle as emoções quando tiver um desejo negado – afinal, dificilmente ele entenderá o porquê da proibição.
       O psiquiatra Gustavo Teixeira, autor dos livros Transtornos da Infância e Adolescência e O Reizinho da Casa ( ambos da Ed. Rubio) afirma: ¨Crianças são muito espertas e têm grande poder de manipulação. Basta apenas um dos pais ceder ao choro uma vez para esse comportamento se repetir. Se a birra não vai embora, é bom que os cuidadores da criança façam uma autorreflexão. Eles podem estar sendo permissivos ou omissivos demais¨.
Fonte: REVISTA CRESCER – EDITORA GLOBO- site: CRESCER.COM.BR JULHO/2013

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