Ele chora e você faz, ele pede e você
deixa? Essa pode não ser a melhor maneira de lidar com a manha do seu filho.
Descubra por que ela acontece e aprenda a driblar os principais sintomas da tão
temida birra.
Quem
passeava pelo Park Shopping, em Curitiba (PR), ficou espantado quando Marina,
de 2 anos, começou a correr de um lado para o outro, se jogar no chão, mexer
nos brinquedos de uma loja infantil e gritar descontroladamente. Situação semelhante viveu a mãe de Vitor, 3
anos, quando ele dava chilique em um supermercado porque a mãe não quis comprar
tudo que ele colocou no carrinho. Já a mãe de Bernardo, de 1 ano e 8 meses, se
diz assustada: ¨Ele não reclamava de nada , era um verdadeiro anjo. Agora, abre
o berreiro, quer tudo e na força. Levo uns 20 minutos para botar uma fralda ou
uma roupa. É desesperador!¨.
O que
essas mães não sabem é que o drama vivido por elas é normal, em certas medidas
até saudável. Tem data para aparecer e, quando bem administrada pelos pais,
data para ir embora. É a famosa birra, também conhecida como manha ou chilique.
Para detoná-la, basta que a criança seja contrariada. Um simples ¨não¨ pode
fazê-la aprontar um verdadeiro show, com direito a berros, chororô sem
lágrimas, chutes e, em casos extremos, até
perda de ar.
Ataques
como esses podem se manifestar a partir dos 6 meses de idade e chegam ao ápice
entre 2 e 3 anos, fase na qual a criança começa a explorar melhor o mundo. A
birra se torna então o caminho mais fácil para pôr para fora tudo aquilo que
está sentindo, como explica a psicóloga infantil Vera Zimmermann, da Unifesp (
SP): ¨No meio dessas transformações, ela adquire experiências prazerosas e não
quer abrir mão disso. Quando os pais dizem o primeiro ¨ não ¨, é com choro e
gritaria que ela põe a frustração para fora¨.
A forma
de manifestar o descontentamento se dá por meio de três fases. Primeiro vem o
grito, depois as ações físicas e, por último, a lamentação e o reconhecimento.
RECEITA
ANTIMANHA ( Entendendo a birra como uma dificuldade de se expressar, os
pais têm algumas maneiras para ajudar desde cedo, a evitar o que, mais tarde,
pode se transformar em um chilique mais forte):
1 – SENTIMENTOS PARA FORA – Auxiliar a
criança a verbalizar o que ela está sentindo.
2– MUITA CALMA NESSA HORA – Dar
alternativas para que a criança se acalme. Vale um passeio no parque, fazer
carinho no cachorro ou o bom e velho
colo, desde que não seja isso que ele está pedindo.
3 – DIÁLOGO SEMPRE – Sempre conversar
antes. Se você vai à casa de um amigo ou ao shopping e sabe que seu filho
costuma dar show nessas ocasiões, explique tudo para ele antes.
4 – MUDANÇA DE FOCO – Aquele momento
imediatamente anterior ao provável chilique. Se vocês estão na loja de
brinquedos e seu filho começa a insistir muito que quer um, por exemplo, a
melhor maneira é desviar o foco antes que ele comece a bater o pé.
5- LIMITE SEMPRE – A mais importante
missão dos pais na operação antibirra, é o famoso limite. Como escreve a
psicóloga Tânia Zagury em seu livro Limite sem Trauma ( Ed. Record), ¨ a
criança nasce sem qualquer noção de valores, sem saber o que é certo ou errado.
São os pais que devem, paulatinamente, mostrar aos filhos o que se pode ou não
fazer em sociedade¨. Por isso, especialistas concordam que, quando o seu filho dá um chilique daqueles que todo
mundo se sente no direito de julgar, das duas, uma: ou os pais cedem com
facilidade aos desejos da criança, ou eles ainda não explicaram claramente que
a vida é feita de regras.
Quando você não deixa claro desde cedo o
que é certo e o que é errado, não dá para exigir que seu filho controle as
emoções quando tiver um desejo negado – afinal, dificilmente ele entenderá o
porquê da proibição.
O psiquiatra Gustavo Teixeira, autor dos
livros Transtornos da Infância e Adolescência e O Reizinho da Casa ( ambos da
Ed. Rubio) afirma: ¨Crianças são muito espertas e têm grande poder de
manipulação. Basta apenas um dos pais ceder ao choro uma vez para esse
comportamento se repetir. Se a birra não vai embora, é bom que os cuidadores da
criança façam uma autorreflexão. Eles podem estar sendo permissivos ou
omissivos demais¨.
Fonte:
REVISTA CRESCER – EDITORA GLOBO- site: CRESCER.COM.BR JULHO/2013

Nenhum comentário:
Postar um comentário