terça-feira, 14 de julho de 2015

Parte 2: Demonstrar a criança que seus sentimentos são “normais”, mas que há maneiras melhores para expressá-los!



Alguns procedimentos podem nos ajudar, enquanto pais, a ajudar nossos filhos a expressar com mais serenidade seus sentimentos, vejamos:

Conversar em vez de confrontar – É preciso que você mantenha a calma ao identificar e dar nome aos sentimentos de seu filho. Se houver confronto, ele poderá se fechar numa concha: não falará nem ouvirá, mesmo que você grite.

Imaginar – É preciso que você se coloque no lugar dele: precisa imaginar como se sentiria se fosse ele e estivesse naquela situação com a idade, o temperamento, as vulnerabilidades e as necessidades dele.
 Pensar em como meu filho estava se sentindo me ajudou muitas vezes a não ficar zangado. Passei a vê-lo como um menino cansado, nervoso, confuso ou irado e não apenas como um menino que fazia coisas horríveis que me irritavam muito. Isso também me ajudou a explicar-lhe os fatos com mais clareza. Antes eu apenas ordenava: “Não, não faça isso!” Agora digo, mais ou menos: “Sei que você está zangado, mas não tem direito de bater na sua irmã. Assim como ela não tem direito de bater em você.”- Dave G.

Optar pela honestidade – Claro, há momentos em que os pais se zangam com razão, e esses são os momentos adequados para conversar sobre emoções com calma e objetividade. Aí você deve explicar a seu filho: “Sei que você está furioso, e eu também! Estou zangado demais para conversarmos agora” ou “Sei que você está furioso, mas se falarmos nisso agora eu também vou perder a paciência, e não quero isso. Vamos conversar mais tarde”.

Arranjar tempo
Hoje todo mundo tem pressa. A pressa é inimiga do amor. O amor volta quando a gente passa bastante tempo junto. Se você quiser que tudo corra bem com seus filhos precisa arranjar tempo para dedicar a eles, agora que são pequenos, estão perto e precisam muito do seu apoio. Se você conversar com pais que passaram por situações traumáticas com os filhos, eles lhe dirão: “Aproveite a companhia deles agora.” – Steve Biddulph, psicólogo e escritor

O que estamos dizendo corre o risco de ter o valor de uma varinha de condão... Quando aconselhamos aos pais que dediquem mais tempo aos filhos a resposta mais bem educada que ouvimos é “Seria ótimo ter essa chance”. Tempo é o que os pais menos têm, na maioria das vezes por circunstâncias que estão fora do controle. No entanto, isso não diminui a importância do fato.
Se você puder agarrar algum tempo, segure-o com firmeza. É bastante evidente a importância se de passar todo tempo possível com os filhos, aproveitando a companhia deles e aprendendo a conhecer suas emoções. Tempo e tempo certo são parâmetros diferentes, é claro. Seu filho pode estar desesperado porque o brinquedo dele quebrou e vocês estão entrando no ônibus depois de fazer a compra semanal. Claro que esse não é o “tempo certo” para uma conversa calma e de apoio. Mas você tem de ter tempo para ela o mais rápido que puder: “Sei que você está aflito e entendo por quê. Assim que chegarmos em casa, vamos ver o que posso fazer.”
Se der às crianças tempo para que encontrem seu ritmo, para que lidem com seus sentimentos e pensamentos, a vida se tornará mais fácil para elas e para vocês. Estamos tão acostumados a passar de um trabalho a outro que nos esquecemos da importância de diminuir o ritmo. Passar alguns minutos brincando com seu filho, usando algum jogo ou improvisando a vela de um veleiro no sofá, pode criar paz, o que não acontecerá se você ignorar os gritos dele, que não tem nada para fazer. Os momentos descontraídos que você e seus filhos passam juntos proporcionam conversas também descontraídas e os ajudam a expressar os anseios num ritmo confortável para eles.
Claro que o método não vai dar certo sempre. Correr contra o tempo muitas vezes é impossível. Mas tentar resolver às pressas os impasses emocionais de crianças com qualquer idade fará com que elas parem de falar sobre seus sentimentos e de expressá-los pelo comportamento. Saber o quanto é importante conhecer esse aspecto de seu filho fará com que você dê mais tempo a essa prioridade de importância máxima.
Quase tudo que se relaciona com crianças requer esforço, tempo e dedicação. Você pode também adiar a conversa para depois, a fim de evitar conflitos e ressentimentos. Minha experiência me mostrou que muitas vezes é melhor dar um tempo para pensar e escolher a direção certa em vez de enveredar pelo caminho errado e ter que voltar para começar tudo de novo – Claire H.
Texto adaptado por Liliana Nogueira

Fonte: PARKER, J. Criando filhos felizes: o que toda criança precisa que seus pais saibam. Trad. Terezinha Monteiro Deutsch – Rio de janeiro: BestSeller, 2008.

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