Alguns procedimentos podem nos ajudar, enquanto pais, a
ajudar nossos filhos a expressar com mais serenidade seus sentimentos, vejamos:
Conversar em vez de confrontar – É preciso que você mantenha a calma ao
identificar e dar nome aos sentimentos de seu filho. Se houver confronto, ele
poderá se fechar numa concha: não falará nem ouvirá, mesmo que você grite.
Imaginar – É preciso que você
se coloque no lugar dele: precisa imaginar como se sentiria se fosse ele e
estivesse naquela situação com a idade, o temperamento, as vulnerabilidades e
as necessidades dele.
Pensar em como meu
filho estava se sentindo me ajudou muitas vezes a não ficar zangado. Passei a
vê-lo como um menino cansado, nervoso, confuso ou irado e não apenas como um
menino que fazia coisas horríveis que me irritavam muito. Isso também me ajudou
a explicar-lhe os fatos com mais clareza. Antes eu apenas ordenava: “Não, não
faça isso!” Agora digo, mais ou menos: “Sei que você está zangado, mas não tem
direito de bater na sua irmã. Assim como ela não tem direito de bater em você.”- Dave G.
Optar pela honestidade –
Claro, há momentos em que os pais se zangam com razão, e esses são os momentos
adequados para conversar sobre emoções com calma e objetividade. Aí você deve
explicar a seu filho: “Sei que você está furioso, e eu também! Estou zangado
demais para conversarmos agora” ou “Sei que você está furioso, mas se falarmos
nisso agora eu também vou perder a paciência, e não quero isso. Vamos conversar
mais tarde”.
Arranjar tempo
Hoje
todo mundo tem pressa. A pressa é inimiga do amor. O amor volta quando a gente
passa bastante tempo junto. Se você quiser que tudo corra bem com seus filhos
precisa arranjar tempo para dedicar a eles, agora que são pequenos, estão perto
e precisam muito do seu apoio. Se você conversar com pais que passaram por
situações traumáticas com os filhos, eles lhe dirão: “Aproveite a companhia
deles agora.” –
Steve Biddulph, psicólogo e escritor
O
que estamos dizendo corre o risco de ter o valor de uma varinha de condão... Quando
aconselhamos aos pais que dediquem mais tempo aos filhos a resposta mais bem
educada que ouvimos é “Seria ótimo ter essa chance”. Tempo é o que os pais
menos têm, na maioria das vezes por circunstâncias que estão fora do controle.
No entanto, isso não diminui a importância do fato.
Se
você puder agarrar algum tempo, segure-o com firmeza. É bastante evidente a
importância se de passar todo tempo possível com os filhos, aproveitando a
companhia deles e aprendendo a conhecer suas emoções. Tempo e tempo certo são parâmetros diferentes, é claro. Seu filho
pode estar desesperado porque o brinquedo dele quebrou e vocês estão entrando
no ônibus depois de fazer a compra semanal. Claro que esse não é o “tempo
certo” para uma conversa calma e de apoio. Mas você tem de ter tempo para ela o
mais rápido que puder: “Sei que você está aflito e entendo por quê. Assim que
chegarmos em casa, vamos ver o que posso fazer.”
Se
der às crianças tempo para que encontrem seu ritmo, para que lidem com seus
sentimentos e pensamentos, a vida se tornará mais fácil para elas e para vocês.
Estamos tão acostumados a passar de um trabalho a outro que nos esquecemos da
importância de diminuir o ritmo. Passar alguns minutos brincando com seu filho,
usando algum jogo ou improvisando a vela de um veleiro no sofá, pode criar paz,
o que não acontecerá se você ignorar os gritos dele, que não tem nada para
fazer. Os momentos descontraídos que
você e seus filhos passam juntos proporcionam conversas também descontraídas e
os ajudam a expressar os anseios num ritmo confortável para eles.
Claro que o método não vai dar certo
sempre. Correr contra o tempo muitas vezes é
impossível. Mas tentar resolver às pressas os impasses emocionais de crianças
com qualquer idade fará com que elas parem de falar sobre seus sentimentos e de
expressá-los pelo comportamento. Saber o quanto é importante conhecer esse
aspecto de seu filho fará com que você dê mais tempo a essa prioridade de
importância máxima.
Quase tudo que se relaciona com crianças requer esforço,
tempo e dedicação. Você pode também adiar a conversa para depois, a fim de
evitar conflitos e ressentimentos. Minha experiência me mostrou que muitas
vezes é melhor dar um tempo para pensar e escolher a direção certa em vez de
enveredar pelo caminho errado e ter que voltar para começar tudo de novo –
Claire H.
Texto
adaptado por Liliana Nogueira
Fonte: PARKER,
J. Criando filhos felizes: o que toda criança precisa que seus pais saibam.
Trad. Terezinha Monteiro Deutsch – Rio de janeiro: BestSeller, 2008.

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